De rochas mais antigas do que a própria vida a ecossistemas extremos, descobertas do ano ajudaram a desvendar mistérios do passado, do presente e do interior do planeta
Bilhões de anos atrás, a Terra era um ambiente hostil, coberto por magma e sem qualquer sinal de vida. Em 2025, porém, a ciência deu passos importantes para compreender como esse cenário extremo se transformou no planeta azul e verde que conhecemos hoje — e também para entender o que ainda acontece sob nossos pés e nas maiores profundezas dos oceanos.
Ao longo do ano, pesquisadores revelaram fenômenos naturais até então inexplicáveis, identificaram formações rochosas com mais de 4 bilhões de anos, descobriram ecossistemas vivos em condições extremas e detectaram mudanças inesperadas no núcleo do planeta. Cada uma dessas descobertas ajuda a recontar a história da Terra sob novas perspectivas.
A rocha mais antiga já identificada no planeta
Um afloramento rochoso no norte de Quebec, no Canadá, chamou a atenção da comunidade científica ao ser datado em cerca de 4,16 bilhões de anos. Conhecido como Nuvvuagittuq, o local pode conter fragmentos da crosta terrestre formados durante o Éon Hadeano, o primeiro período da história do planeta.
Esse achado é especialmente relevante porque pode preservar vestígios das condições iniciais da Terra — e até indícios primitivos de vida. Apesar disso, o debate científico continua, já que as rochas não contêm zircão, mineral considerado o mais confiável para datações tão antigas.
Microrelâmpagos, fogos-fátuos e as origens da vida
Outro avanço veio da explicação científica para os chamados fogos-fátuos, luzes misteriosas observadas há séculos em pântanos e áreas alagadas. Estudos publicados em 2025 indicaram que o fenômeno é causado por microrelâmpagos, gerados quando bolhas de água eletricamente carregadas entram em contato com o metano.
Mais do que curiosidade natural, esses microrelâmpagos podem ter desempenhado um papel crucial no surgimento da vida. Pesquisas sugerem que fenômenos semelhantes, ocorrendo na névoa da Terra primitiva, ajudaram a desencadear reações químicas fundamentais para a formação dos primeiros compostos orgânicos.
O Polo Norte magnético segue em movimento
Diferente do Polo Norte geográfico, o Polo Norte magnético está em constante deslocamento. Em 2025, cientistas atualizaram o Modelo Magnético Mundial, ferramenta essencial para sistemas de navegação usados por aviões, navios e satélites.

Desde o século XIX, o polo magnético vem se afastando do Canadá em direção à Rússia. Após décadas de aceleração, esse movimento começou a desacelerar nos últimos anos, embora os cientistas ainda não saibam exatamente o motivo desse comportamento incomum do campo magnético terrestre.
O ecossistema animal mais profundo já conhecido
Uma das descobertas mais impressionantes do ano ocorreu a quase 10 quilômetros de profundidade, na zona hadal do oceano, entre o Alasca e a Rússia. Cientistas identificaram um ecossistema próspero composto por moluscos e vermes tubulares que sobrevivem sem luz solar.
Esses organismos dependem da quimiossíntese, processo no qual bactérias convertem metano em energia. A descoberta mostrou que a vida pode prosperar em condições extremas muito além do que se imaginava — e ampliou as possibilidades de busca por vida em outros planetas e luas oceânicas.
Mundos ocultos sob a crosta terrestre
Pesquisas realizadas em 2025 revelaram que o manto terrestre guarda estruturas antigas, como restos de supercontinentes, muito mais preservadas do que se pensava. Essas formações podem influenciar terremotos, vulcanismo e a própria dinâmica das placas tectônicas.
Outro estudo apontou a existência de uma grande massa de rocha quente sob os Montes Apalaches, formada há cerca de 80 milhões de anos, o que ajuda a explicar por que essas montanhas antigas resistiram tanto à erosão ao longo do tempo.
Um núcleo terrestre ainda cheio de mistérios
No centro da Terra, descobertas recentes indicaram que o núcleo interno, uma esfera sólida de metal, passou por mudanças na rotação e até na forma de sua camada externa. Além disso, pesquisas sugerem que pequenas quantidades de ouro podem estar migrando lentamente do núcleo para a crosta terrestre.
Embora esse processo seja extremamente lento, ele reforça a ideia de que o interior do planeta está longe de ser estático e continua influenciando a superfície de maneiras surpreendentes.


