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Leitura resiste ao digital e impulsiona faturamento bilionário do setor editorial no Brasil

Mesmo com avanço das telas, mercado de livros cresce em vendas e receita em 2025, mantendo o livro físico como pilar cultural

O mercado de livros no Brasil encerrou 2025 contrariando previsões pessimistas sobre o futuro da leitura em tempos digitais. Em meio à consolidação das redes sociais, do streaming e do consumo rápido de conteúdo, o setor editorial mostrou força, crescimento e relevância cultural. Os dados mais recentes indicam que o livro físico segue ocupando espaço central na vida dos brasileiros — e movimentando bilhões.

Segundo levantamento do Painel do Varejo de Livros no Brasil, divulgado pelo J1 News, o setor alcançou faturamento de R$ 3,09 bilhões em 2025, resultado de um avanço consistente tanto em volume quanto em receita. Ao longo do ano, foram vendidos 60,33 milhões de exemplares, superando os 55,99 milhões comercializados em 2024.

O crescimento não foi pontual: o volume de vendas aumentou 7,75%, enquanto a receita avançou 8,68%, demonstrando ganho real de escala e fortalecimento da cadeia editorial. Mesmo com um reajuste discreto no preço médio dos livros, o principal motor do crescimento foi a maior demanda, e não apenas a elevação de preços.

Crescimento com alerta: queda na bibliodiversidade

Apesar do desempenho positivo, o mercado editorial também enfrenta desafios. Um dos principais é a redução da chamada bibliodiversidade — a variedade de títulos disponíveis ao público. Em 2025, houve uma queda de 17,68% no número de novos ISBNs, passando de 368.552 em 2024 para 303.397 registros.

Cada ISBN representa uma nova obra ou edição publicada, e a redução indica maior concentração das vendas em um número menor de títulos, geralmente impulsionados por tendências de mercado, fenômenos editoriais ou produtos de grande apelo comercial. O cenário reacende o debate sobre pluralidade cultural, incentivo a novos autores e diversidade de vozes no mercado editorial.

Ainda assim, análises da Nielsen Book mostram que, mesmo desconsiderando fenômenos específicos do período — como o sucesso atípico de livros de colorir —, o setor manteve crescimento sólido: 1,94% em volume e 5,12% em valor, reforçando uma base de leitores mais ampla e constante.

Desempenho equilibrado entre os segmentos

O crescimento do mercado de livros no Brasil em 2025 também se refletiu no equilíbrio entre gêneros e públicos. A Ficção liderou o faturamento, com 29,57% da receita, seguida de perto pela Não Ficção Trade, responsável por 28,61%.

Os livros Infantis, Juvenis e Educacionais responderam por 23,23% do faturamento, evidenciando a força da leitura na formação de novos leitores. Já a Não Ficção Especialista concentrou 18,59% da receita, mantendo sua relevância em nichos acadêmicos, técnicos e profissionais.

O desempenho positivo se manteve até o fim do ano. Entre 1º e 28 de dezembro, período impulsionado pelas compras de Natal e promoções sazonais, foram vendidos 6,54 milhões de exemplares, gerando R$ 343,5 milhões em faturamento.

Livro físico segue vivo — e estratégico

Os números mostram que, mesmo diante da transformação digital, o livro físico continua sendo um bem cultural estratégico no Brasil. Mais do que produto de consumo, ele sustenta editoras, livrarias, gráficas, autores e mediadores culturais, além de desempenhar papel essencial na formação crítica e educacional da sociedade.

Para 2026, o principal desafio do setor será conciliar crescimento econômico com diversidade editorial, garantindo espaço tanto para grandes sucessos quanto para novas vozes e produções independentes.

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