Sistema atmosférico em formação desde o dia 9 deve se intensificar no sábado (10), com ventos fortes, chuvas volumosas e risco elevado em cinco estados
O primeiro ciclone extratropical de 2026 no Brasil começou a se organizar na quinta-feira, 9 de janeiro, e deve se consolidar totalmente ao longo do sábado (10), provocando uma série de impactos meteorológicos nas regiões Sul e parte do Sudeste do país.
O sistema tem origem em uma área de baixa pressão atmosférica localizada entre o Paraguai, o norte da Argentina e a região do Rio da Prata. À medida que avança em direção ao território brasileiro, o fenômeno encontra condições favoráveis para intensificação, como o contraste entre massas de ar quente e frio, característica típica da formação de ciclones extratropicais.
Os estados com maior risco associado ao evento são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Nestas áreas, a previsão indica chuvas intensas, temporais isolados, descargas elétricas frequentes e rajadas de vento que podem chegar a 100 km/h, especialmente nas áreas mais ao sul.
Diante da gravidade do cenário, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de “Grande Perigo” para o Rio Grande do Sul, destacando a possibilidade de danos estruturais, quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e transtornos no transporte.
Além dos impactos em terra firme, o ciclone também deve provocar forte agitação marítima no litoral da região Sul, com ondas elevadas e condições adversas para navegação, pesca e atividades costeiras. Autoridades recomendam atenção redobrada de moradores de áreas litorâneas e comunidades pesqueiras.
Fenômeno conhecido, mas que exige atenção
Ciclones extratropicais não são incomuns no Brasil, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde o encontro de massas de ar com diferentes pressões favorece esse tipo de sistema. Apesar disso, a intensidade de cada evento varia e pode representar riscos significativos à população quando associado a ventos extremos e grandes volumes de chuva.
O episódio mais raro e intenso já registrado no país foi o Furacão Catarina, em março de 2004, quando o sistema atingiu o Sul do Brasil com ventos de até 180 km/h — um evento atípico para o Atlântico Sul. Embora o ciclone atual não tenha características de furacão, especialistas reforçam que os impactos podem ser severos.
Orientação à população
Órgãos de defesa civil recomendam que a população acompanhe os boletins meteorológicos, evite áreas alagadas, não se abrigue sob árvores durante tempestades e redobre os cuidados com estruturas expostas a ventos fortes. Em áreas costeiras, a recomendação é evitar o mar até a normalização das condições.


