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terça-feira, março 3, 2026
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Gigante militar, EUA perdem força em educação, inovação, energia e infraestrutura

Potência bélica segue dominante, mas indicadores mostram erosão em áreas estratégicas que sustentam a liderança global

Os Estados Unidos continuam sendo a maior potência militar do planeta e mantêm o maior PIB nominal do mundo. No entanto, dados recentes indicam que o país vem perdendo força em setores decisivos para a liderança do século XXI: educação, inovação tecnológica, energia e infraestrutura.

Um dos sinais mais evidentes aparece na educação. No Programme for International Student Assessment (Pisa), coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a nota dos estudantes americanos em matemática caiu de 483 pontos em 2003 para 465 nas avaliações mais recentes — desempenho abaixo da média da OCDE e cerca de 60 pontos inferior ao da Coreia do Sul.

China avança em inovação

A disputa tecnológica com a China se intensificou na última década. O número de patentes chinesas superou o americano em 2011 e, em 2024, já era aproximadamente três vezes maior.

O investimento estatal dos EUA em pesquisa e desenvolvimento também encolheu ao longo das décadas — de 67% do total para cerca de 18%. Analistas alertam que cortes em universidades e centros científicos podem comprometer a produção de ciência básica, fundamental para avanços tecnológicos futuros.

Relatório da consultoria Eurasia Group destaca que tecnologias centrais do século XXI — como veículos elétricos, inteligência artificial, drones, robótica e armazenamento de baterias — dependem de domínio energético e capacidade industrial, áreas em que a China ampliou sua vantagem.

Energia e infraestrutura em contraste

Enquanto a geração de energia dos EUA permanece próxima de 4 mil terawatts/hora desde os anos 2000, a China saltou de menos de 2 mil para mais de 10 mil terawatts/hora no mesmo período, respondendo hoje por cerca de 32% da geração global.

Além disso, parte da infraestrutura americana apresenta sinais de desgaste, com redes elétricas sobrecarregadas diante da expansão de data centers e novas demandas tecnológicas.

Intervenção econômica e desaceleração

Medidas recentes envolvendo empresas como Intel, Nvidia e AMD indicam maior presença do Estado na economia — movimento que alguns analistas comparam ao período do New Deal.

O PIB americano cresceu 2,2% em 2025, abaixo dos 2,8% registrados em 2024, sinalizando desaceleração. Paralelamente, o dólar perdeu participação nas reservas globais nas últimas décadas.

Reconfiguração global

Apesar dos sinais de enfraquecimento relativo, os Estados Unidos seguem entre os líderes globais em inovação no ranking da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), ao lado de países como Suíça, Suécia e Singapura.

O debate atual não aponta necessariamente para o fim da hegemonia americana, mas para uma mudança no equilíbrio de forças globais, em que educação, inovação e energia passaram a ser tão determinantes quanto o poder militar.

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