Símbolos de uma era da comunicação, telefones públicos deixam de ser obrigatórios após fim das concessões
Por décadas, eles foram ponto de encontro, emergência e comunicação acessível para milhões de brasileiros. Mas os tradicionais orelhões, que já foram quase indispensáveis nas ruas do país, estão oficialmente com os dias contados. Após o fim das concessões do serviço de telefonia fixa, mais de 38 mil aparelhos serão retirados de todo o Brasil a partir de 2026.
O encerramento das concessões ocorreu em 2025 e envolve as cinco empresas responsáveis pelos orelhões no país: Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica. Com isso, as operadoras deixam de ter a obrigação legal de manter telefones públicos e orelhões espalhados pelas cidades.
Quantos orelhões ainda existem no Brasil?
De acordo com dados mais recentes, o país ainda possui 38.354 orelhões, entre ativos e inativos:
- 33.346 ainda estão em funcionamento
- 4.497 encontram-se em manutenção
A maior concentração está no Estado de São Paulo, que reúne mais de 27 mil aparelhos. Em outros estados, como Bahia e Maranhão, ainda há mais de mil orelhões em funcionamento. Já no Rio de Janeiro, restam apenas 55 unidades.
Celulares mudaram tudo
A popularização dos celulares, planos pré-pagos acessíveis e aplicativos de mensagens transformou completamente a forma como as pessoas se comunicam. Com isso, os orelhões passaram de essenciais a praticamente obsoletos — sendo hoje mais lembrados como ícones urbanos do que como ferramentas de uso diário.
Ainda assim, em regiões isoladas ou com baixa cobertura de sinal, esses aparelhos seguem tendo alguma relevância social.
O que muda com o fim das concessões
Mesmo com o recolhimento dos orelhões, as operadoras continuam obrigadas a garantir serviços de telecomunicação por voz, em regime privado, até 31 de dezembro de 2028, especialmente em locais onde sejam as únicas prestadoras disponíveis — podendo usar qualquer tecnologia, não necessariamente os telefones públicos.
A Oi foi a primeira empresa a iniciar o processo de adaptação e retirada dos equipamentos. A Anatel deve divulgar, nos próximos meses, mais detalhes sobre o cronograma das demais operadoras, como Algar, Claro e Telefônica.
Exceção no Paraná
A Sercomtel, por sua vez, seguirá mantendo todos os orelhões em sua área de concessão — que abrange os municípios de Londrina e Tamarana (PR) — até que a migração completa para o regime privado seja concluída.
Fim de um símbolo urbano
Mais do que equipamentos de comunicação, os orelhões fazem parte da memória coletiva brasileira. Seu desaparecimento marca o fim de uma era e reforça como a tecnologia redefine, silenciosamente, o espaço urbano e os hábitos da população.


