Nova diretriz educacional inclui combate à misoginia, prevenção da violência de gênero e formação de relacionamentos saudáveis desde a infância
A partir de setembro de 2026, todas as escolas da Inglaterra passarão a ter a obrigação legal de ensinar conteúdos voltados ao respeito às mulheres e meninas. A medida integra uma atualização nas diretrizes de Educação sobre Relacionamentos, Sexo e Saúde (RSHE), anunciada pelo Departamento de Educação do Reino Unido, e marca um avanço significativo na prevenção da violência de gênero por meio da educação.
O objetivo central da nova política é atuar de forma preventiva, abordando desde cedo comportamentos, discursos e influências que reforçam desigualdades, ódio e violência, especialmente contra mulheres e meninas. As escolas, inclusive, foram incentivadas a iniciar a adoção dessas práticas já a partir de setembro de 2025, um ano antes da obrigatoriedade oficial.
Combate direto à misoginia e influências tóxicas online
Um dos pontos mais relevantes da atualização é a exigência de que as escolas abordem explicitamente o combate à misoginia. O currículo deverá incluir discussões sobre discursos de ódio, estereótipos de gênero e influências digitais nocivas, como comunidades online que promovem visões extremistas, entre elas a chamada cultura “incel”.
Além disso, haverá espaço para o debate sobre o impacto do consumo precoce de conteúdos adultos e como isso pode distorcer percepções sobre relacionamentos, consentimento e respeito mútuo.
Relacionamentos saudáveis desde o ensino fundamental
As novas diretrizes determinam que conceitos como consentimento, limites pessoais, empatia e dignidade passem a ser trabalhados desde os primeiros anos da vida escolar. A ideia é que crianças e adolescentes aprendam, de forma adequada à idade, a construir relações baseadas na igualdade, no respeito e na responsabilidade emocional.
Segundo o governo britânico, ensinar esses valores desde cedo é fundamental para reduzir comportamentos abusivos no futuro e promover uma cultura de convivência mais segura e saudável.
Prevenção da violência masculina contra mulheres e meninas
Outro eixo central da política educacional é a prevenção da violência de gênero. As escolas deverão desafiar estereótipos que normalizam comportamentos agressivos ou dominadores e incentivar reflexões críticas sobre masculinidade, poder e responsabilidade social.
A proposta reconhece que a violência não surge de forma isolada, mas é construída a partir de padrões culturais e sociais que podem — e devem — ser questionados ainda na infância e adolescência.
Professores receberão apoio e capacitação
Para garantir a efetividade da medida, o Departamento de Educação do Reino Unido informou que oferecerá treinamento e materiais de apoio aos professores. A capacitação visa preparar os educadores para identificar sinais de discursos de ódio, comportamentos de risco e situações que demandem intervenção no ambiente escolar.
O governo também destaca que a abordagem deverá ser feita de maneira equilibrada, educativa e baseada em evidências, respeitando o desenvolvimento emocional dos alunos.
Um modelo que pode inspirar outros países
Embora a obrigatoriedade passe a valer apenas em 2026, a iniciativa já é vista como um passo importante no enfrentamento estrutural da violência contra mulheres e meninas. Especialistas apontam que políticas educacionais desse tipo podem servir de referência para outros países que buscam soluções de longo prazo para um problema global.


