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HIV: Fiocruz vai testar injeção semestral que pode prevenir o vírus em quase 100% e avaliar inclusão no SUS

Estudo será realizado em sete cidades brasileiras e pode abrir caminho para uma nova estratégia de prevenção contra o HIV no país

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai iniciar, em breve, testes com uma injeção semestral capaz de prevenir a infecção pelo HIV com eficácia próxima de 100%. O medicamento, chamado lenacapavir, será oferecido como parte de um estudo científico em sete cidades brasileiras, com o objetivo de avaliar a viabilidade de sua futura inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS).

A pesquisa integra o estudo ImPrEP LEN Brasil e representa um avanço significativo nas estratégias de prevenção ao HIV, especialmente para públicos que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário de medicamentos.

Onde o estudo será realizado

O medicamento será aplicado em serviços públicos de saúde nas seguintes cidades:

  • Rio de Janeiro (RJ)
  • Nova Iguaçu (RJ)
  • São Paulo (SP)
  • Campinas (SP)
  • Salvador (BA)
  • Florianópolis (SC)
  • Manaus (AM)

O projeto está na fase final de preparação e, em breve, começará a incluir participantes. As informações oficiais estarão disponíveis em 🌐 www.imprep.org.

O que é o lenacapavir

Desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences e comercializado internacionalmente com o nome Sunlenca, o lenacapavir foi aprovado pela Anvisa no último dia 12 como profilaxia pré-exposição (PrEP) — método utilizado por pessoas que não vivem com HIV para evitar a infecção.

A aplicação é feita a cada seis meses, o que representa uma grande diferença em relação à PrEP já oferecida pelo SUS desde 2017, baseada no uso de comprimidos diários. Embora eficazes, esses comprimidos enfrentam desafios de adesão, principalmente entre jovens e populações mais vulneráveis.

Quem pode participar

O estudo é voltado a públicos considerados mais expostos ao HIV, incluindo:

  • Gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens cisgênero
  • Pessoas transgênero e não-binárias designadas como do sexo masculino ao nascer
  • Jovens de 16 a 30 anos, com ou sem uso prévio de outras formas de PrEP

Caminho até o SUS

Apesar da aprovação pela Anvisa, o lenacapavir ainda não está disponível no Brasil. Antes disso, o medicamento precisa ter seu preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e passar pela avaliação da Conitec, responsável por analisar a incorporação de novas tecnologias ao SUS.

O estudo da Fiocruz será fundamental para fornecer dados científicos, econômicos e operacionais que embasem essa decisão.

Reconhecimento internacional e desafio do preço

Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada ao HIV, que inclui preservativos, testagem regular e PrEP.

No entanto, o alto custo é um dos principais entraves. Nos Estados Unidos, o tratamento chega a custar mais de 28 mil dólares por pessoa ao ano, o que inviabiliza sua adoção em larga escala por sistemas públicos de saúde.

Pesquisadores internacionais apontam que versões genéricas poderiam ser produzidas por valores muito menores, estimando um custo de cerca de 25 dólares, com margem de lucro. Mesmo assim, o Brasil ficou fora dos acordos iniciais de licenciamento para produção genérica, o que gerou críticas da comunidade científica.

Importância para o futuro

Segundo a pesquisadora Beatriz Grinsztejn, da Fiocruz e presidente da International AIDS Society, o estudo pode representar um marco no combate ao HIV:

“Temos absoluta certeza de que o estudo ImPrEP LEN Brasil trará subsídios muito relevantes para ampliar as alternativas de prevenção e colaborar de forma importante na luta pela erradicação do HIV no mundo.”

Se os resultados forem positivos, o Brasil pode dar um passo decisivo rumo a uma prevenção mais acessível, moderna e alinhada às necessidades reais da população.

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